segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Câncer Gástrico



A patogenia de câncer gástrico é multifatorial. Fatores genéticos e ambientais parecem participar do processo de carcinogênese no estômago. A incidência do câncer gástrico é inversamente proporcional ao status sócio- econômico da população, talvez refletindo fatores sociais, ocupacionais, culturais e dietéticos. Diversos estudos demonstraram associação entre risco de câncer gástrico e ingestão alimentar.
Mudanças no ambiente social, redução da ingestão de sal e aumento do consumo de frutas frescas e vegetais, assim como preservação alimentar com utilização de refrigeradores e congeladores, são consideradas medidas que participam para a diminuição da incidência da temível doença.


O câncer gástrico apresenta algumas evidências como:


- Dispepsia e desconforto epigástrico crônicos relacionados com o crescimento do tumor e destruição da barreira mucosa;
- Perda de peso, anorexia, sensação de plenitude após as refeições, anemia e fadiga;
- Sangue nas fezes por erosão da mucosa gástrica pelo tumor.


Através de radiografias contrastadas com fluoroscopia mostram o tumor ou defeitos de enchimento no contorno do estômago, perda da flexibilidade e distensibilidade, além da mucosa anormal com ou sem ulcerações.
A gastroscopia visualiza a mucosa gástrica, incluindo a presença de lesões para a biopsia. Tomografia computadorizada, radiografias, cintilografia hepática e óssea, além de biopsia hepática, revelam metástases.

Tratamento do Câncer Gástrico

O tratamento do câncer gástrico é eminentemente cirúrgico e consiste na remoção do estômago e das cadeias ganglionares que drenam esse órgão. A intervenção cirúrgica poderá ser de médio porte (gastrectomia parcial) ou grande porte (gastrectomia total).
O paciente submetido á intervenção cirúrgica para tratamento de câncer gástrico sofre perda da sua capacidade de armazenamento de nutrientes, pela remoção parcial ou total do estômago, e alterações na absorção de nutrientes devido á modificação do trânsito intestinal. A médio e longo prazos, as alterações da anatomia do trato digestório podem implicar em conseqüências nutricionais importantes.
A recomendação da terapia nutricional no pós-operatório imediato é iniciar o mais precocemente possível, para manter ou recuperar o estado nutricional dos pacientes. A jejunostomia pode ser adotada ainda no momento da cirurgia para permitir o início da nutrição, preservar a função intestinal e melhorar o processo cicatricial.
A dieta enteral via jejunostomia pode ser iniciada dentro de 24h após a cirurgia, sendo bem tolerada com auxílio de bomba de infusão. Após o retorno dos movimentos peristálticos, a dieta via oral pode ser iniciada com líquidos claros (chá, água- de- coco e caldos vegetais), evoluindo para líquidos completos. Após a oferta de variedade de líquidos pode-se introduzir, de maneira progressiva, alimentos de consistência pastosa, com alto teor protéico, baixo teor de lipídeos e poucos condimentos.
Medidas como eliminação dos carboidratos simples da dieta, aumento gradativo da ingestão alimentar e ingestão alternada de alimentos sólidos e líquidos, são recomendadas para prevenir ou controlar diarréia e síndrome de dumping, comum após gastrectomia total ou subtotal. A nutrição enteral deverá ser introduzida se a presença de sintomatologia, como náuseas, vômitos, diarréia, dor abdominal e saciedade precoce, limitar a aceitação completa da alimentação por via oral, para evitar a perda de tecido magro e instalação de desnutrição. A nutrição parenteral estará indicada áqueles pacientes que apresentarem complicações pós- operatórias e permanecerão impossibilitados de se alimentarem por via oral ou enteral por tempo prolongado, dando-se especial atenção á quantidade total de glicose infundida no paciente, para evitar hiperglicemia.


A indicação da realimentação por via oral deve ser feita de maneira progressiva, sempre respeitando a tolerância do paciente. Recomenda-se observar os critérios relacionados a seguir, de acordo com Kudsk et AL., Baxter e Waitzberg.


- Na fase inicial de recuperação, as refeições devem ser freqüentes e em pequenas quantidades para melhor tolerância e aumento da quantidade de energia oferecida.
- Evitar alimentos com alto teor de fermentação e alta concentração de carboidratos simples (mono e dissacarídeos).
- Dar preferência a alimentos de consistência líquida e evoluir conforme a aceitação do paciente.
- Utilizar moderada quantidade de gordura na dieta (23 a 30% do valor energético total), evitando-se preparações excessivamente gordurosas. Indicar alto teor protéico (20% do valor energético total), preferindo proteína de alto valor biológico (frango, peixe e clara de ovo).
- Caso seja necessário, utilizar suplementos hipercalóricos orais, sempre observando a osmolaridade da dieta e a distribuição ao longo do dia.
- Após a fase inicial, a consistência poderá ser branda nos próximos 15 a 30 dias.
- Após esse período, poderão ser incluídos gradativamente novos alimentos que sejam de fácil digestão.
- Três a seis meses após a cirurgia, a prescrição dietética poderá evoluir para uma dieta equilibrada, individualizada, de acordo com a tolerância do paciente.
- Iniciar, a partir do segundo ou terceiro mês de pós-operatório, a administração de vitamina B12 intra-muscular, para evitar-se o desenvolvimento de anemia perniciosa.
- Se necessário, prescrever vitamina D e outras vitaminas do complexo B, como também cálcio e ferro, para evitar deficiências desses micronutrientes.
- Ingerir líquidos somente 30 a 60min antes ou após as refeições, e não exceder 100 a 200ml de cada vez. Na presença de diarréia, tomar no mínimo 1.200ml de líquido por dia.
- Comer devagar e mastigar bem os alimentos.
- Nunca fazer as refeições na posição horizontal e, após as refeições, permanecer sempre em ângulo de 30 a 45º.
- Não fumar nem ingerir bebidas alcoólicas.

Referências Bibliográficas:

Tratado de Alimentação e Nutrição e Dietoterapia, Sandra M. Chemin S. da Silva, Joana D´Arc Pereira Mura, Editora Roca.
Fisiopatologia, Práxis Enfermagem, Editora LAB.

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